Os limbos
A Igreja admite, é verdade, uma posição especial em certos casos particulares. As crianças mortas em tenra idade, não tendo feito nenhum mal, não podem ser condenadas ao fogo eterno; por outro lado, não tendo feito nenhum bem, não têm nenhum direito à felicidade suprema.
Ficam então, diz ela (a Igreja), no limbo, situação mista que jamais foi definida, na qual, não sofrendo, também não gozam da perfeita felicidade.
Mas visto que seu destino está irrevogavelmente determinado, elas estão privadas dessa felicidade por toda a eternidade. Essa privação, embora não tenha dependido delas que fosse de outra maneira, equivale a um suplício eterno imerecido.
Acontece o mesmo com os selvagens que, não tendo recebido a graça do batismo e as luzes da religião, pecam por ignorância, abandonando-se aos instintos naturais, não podem ter nem a culpa nem os méritos dos que puderam trabalhar com conhecimento de causa para seu avanço.
A simples lógica repele semelhante doutrina em nome da justiça de Deus.
A justiça de Deus está toda nesta expressão de Cristo: “A cada um segundo suas obras”; mas é preciso entender que se refere às obras boas ou más que se realizam livremente, voluntariamente, as únicas em cuja responsabilidade se incorre, o que não é o caso da criança, nem do selvagem, nem daquele do qual não dependeu ser esclarecido.
Capítulo IV – O inferno – Item 8
O que são os Limbos?
- Lugar sem sofrimento.
- Sem felicidade.
- Destinado às almas:
- De crianças não batizadas.
- Ou dos justos anteriores ao Cristo.
Kardec explica que os Limbos surgem:
- Para corrigir incoerências do inferno eterno. Sem, no entanto, abandonar o dogma do batismo como condição absoluta.
- É uma solução intermediária, mas ainda ilógica.
Será que alguém já questionou:
- Como uma criança sem consciência moral pode ser excluída da felicidade?
- Que justiça existe em puni-la por um ato que não praticou?
199. Por que frequentemente a vida se interrompe na infância?
“A curta duração da vida da criança pode representar, para o Espírito que a animava, o complemento de existência precedentemente interrompida antes do momento em que deveria terminar, e sua morte muitas vezes constitui provação ou expiação para os pais.”
199. a) O que sucede ao Espírito de uma criança que morre pequenina?
“Recomeça outra existência.”
Capítulo IV – Sorte das crianças depois da morte
Kardec não destrói a fé:
- Ele liberta Deus do antropomorfismo
- Devolve ao Cristo sua mensagem essencial: amor, justiça e misericórdia.





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