Inferno cristão imitado do inferno pagão - Part. 3
Nesta 3ª e última parte, faremos uma análise, à luz do Espiritismo, da construção histórica do conceito de inferno no Cristianismo.
Iremos compreender:
- A influência das religiões pagãs na teologia cristã medieval.
- A criação e o uso do conceito de Limbos.
- Como esses dogmas se distanciam da justiça divina ensinada por Jesus.
Antes de prosseguir com o conteúdo, é importante salientar tais pontos:
- Kardec não ataca crenças por ironia ou desprezo.
- Ele analisa a origem histórica das ideias.
- Confronta-as com:
- A razão.
- O bom senso.
- A justiça divina.
- O ensino moral do Cristo.
Pela localização do céu e do inferno, as religiões cristãs foram levadas a admitir para as almas apenas duas situações extremas: a felicidade perfeita e o sofrimento absoluto.
O purgatório não é mais do que uma posição intermediária momentânea, à saída da qual elas, as almas, passam sem transição à morada dos bem-aventurados. Não poderia ser de outra forma segundo a crença na determinação definitiva do destino da alma depois da morte.
Se não há senão duas moradas, a dos eleitos e a dos reprovados, não se podem admitir vários graus em cada uma sem admitir a possibilidade de galgá-los, e, por conseguinte o progresso; ora, se há progresso, não há destino definitivo; se há destino definitivo, não há progresso.
Jesus resolve a questão quando diz: “Há muitas moradas na casa de meu pai.”
Capítulo IV – O inferno – Item 7
Independentemente da diversidade dos mundos, essas palavras de Jesus também podem referir-se ao estado venturoso ou desgraçado do Espírito na erraticidade.
Conforme se ache este mais ou menos depurado e desprendido dos laços materiais, variarão ao infinito o meio em que ele se encontre, o aspecto das coisas, as sensações que experimente, as percepções que tenha...
Capítulo III - Diferentes estados da alma na erraticidade
Temos visto a origem pagã do inferno com seus suplícios, onde encontramos:
- A ideia de fogo material eterno.
- Instrumentos de tortura.
- Penas físicas após a morte.
Isso não nasce no Cristianismo primitivo, essas imagens vêm principalmente:
- Da mitologia grega.
- Da mitologia romana.
- Das religiões orientais antigas.
Vimos o Tártaro, no paganismo, onde é o local de punições:
- Com fogo.
- Caldeirões enormes.
- Com monstros mitológicos.
- Onde há suplícios corporais.
Essas imagens foram transportadas quase intactas para o imaginário cristão medieval.
Kardec ressalta:
- Muitas expressões bíblicas são simbólicas, o erro foi tomá-las literalmente.
Como, por exemplo:
- “Fogo eterno” → símbolo de sofrimento moral, não um fogo físico que queima corpos inexistentes.
Podemos ver uma incompatibilidade com a justiça divina, onde Kardec questiona:
- Como admitir penas eternas para faltas temporárias?
- Onde estaria:
- A proporcionalidade, explicada anteriormente no Evangelho?
- A misericórdia?
- A possibilidade de arrependimento?
- Um castigo eterno resultaria:
- A negação do progresso.
- Transformaria Deus em juiz implacável.
- Contradiria a máxima: “Deus é soberanamente justo e bom.”
Vejamos qual é a finalidade histórica do inferno dogmático:
- Causar medo é a ferramenta utilizada como instrumento de controle moral.Em épocas de ignorância, o terror funcionava como freio.
Mas, o progresso intelectual da humanidade tornou esse modelo insustentável.
O inferno, segundo o espiritismo, não é um lugar, é:
- Estado íntimo de consciência culpada.
- O sofrimento é proporcional, mas sempre é temporário e não eterno.
O espiritismo apresenta a justiça divina restaurada:
- Justiça sem vingança.
- Punição educativa.
- Progresso contínuo.
Deixamos tais perguntas para reflexão:
- O medo ainda é um motivador moral eficaz?
- Qual imagem de Deus carregamos intimamente?
- Sofremos mais pelo erro cometido ou pela consciência que desperta?




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